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quinta-feira, 20 de junho de 2013

Situação de aprendizagem sobre o texto "Pausa" de Moacyr Scliar

 Esta foi a minha atividade no encontro. Aqui ela já está ampliada e acrescida de novas ideias

 

  Situação de aprendizagem  do conto  "Pausa".  “Depois da leitura”. Para 8ºano (7ª serie)

        Às sete horas o despertador tocou. Samuel saltou da cama, correu para o banheiro.Fez a barba e lavou-se. Vestiu-se rapidamente e sem ruído. Estava na cozinha,preparando sanduíches, quando a mulher apareceu, bocejando:—Vais sair de novo, Samuel?Fez que sim com a cabeça. Embora jovem, tinha a fronte calva; mas as sobrancelhas eram espessas, a barba, embora recém-feita, deixava ainda no rosto uma sombra azulada. O conjunto era uma máscara escura.—Todos os domingos tu sais cedo – observou a mulher com azedume na voz.—Temos muito trabalho no escritório – disse o marido, secamente.Ela olhou os sanduíches:—Por que não vens almoçar?—Já te disse: muito trabalho. Não há tempo. Levo um lanche.A mulher coçava a axila esquerda. Antes que voltasse a carga, Samuel pegou o chapéu:—Volto de noite.As ruas ainda estavam úmidas de cerração. Samuel tirou o carro da garagem.Guiava vagarosamente, ao longo do cais, olhando os guindastes, as barcaças atracadas.Estacionou o carro numa travessa quieta. Com o pacote de sanduíches debaixo do braço, caminhou apressadamente duas quadras. Deteve-se ao chegar a um hotel pequeno e sujo. Olhou para os lados e entrou furtivamente. Bateu com as chaves do carro no balcão, acordando um homenzinho que dormia sentado numa poltrona rasgada. Era o gerente. Esfregando os olhos, pôs-se de pé:

 —Ah! Seu Isidoro! Chegou mais cedo hoje. Friozinho bom este, não é? A gente...—Estou com pressa, seu Raul – atalhou Samuel.— Está bem, não vou atrapalhar. O de sempre - Estendeu a chave.Samuel subiu quatro lanços de uma escada vacilante. Ao chegar ao último andar,duas mulheres gordas, de chambre floreado, olharam-no com curiosidade:—Aqui, meu bem! – uma gritou, e riu: um cacarejo curto.Ofegante, Samuel entrou no quarto e fechou a porta a chave. Era um aposento pequeno: uma cama de casal, um guarda-roupa de pinho: a um canto, uma bacia cheia d’água, sobre um tripé. Samuel correu as cortinas esfarrapadas, tirou do bolso um despertador de viagem, deu corda e colocou-o na mesinha de cabeceira.Puxou a colcha e examinou os lençóis com o cenho franzido; com um suspiro,tirou o casaco e os sapatos, afrouxou a gravata. Sentado na cama, comeu vorazmente quatro sanduíches. Limpou os dedos no papel de embrulho, deitou-se fechou os olhos.Dormir.Em pouco, dormia. Lá embaixo, a cidade começava a move-se: os automóveis buzinando, os jornaleiros gritando, os sons longínquos.Um raio de sol filtrou-se pela cortina, estampou um círculo luminoso no chão carcomido. Samuel dormia; sonhava. Nu, corria por uma planície imensa, perseguido por um índio montado o cavalo. No quarto abafado ressoava o galope. No planalto da testa,nas colinas do ventre, no vale entre as pernas, corriam. Samuel mexia-se e resmungava. Às duas e meia da tarde sentiu uma dor lancinante nas costas. Sentou-se na cama, os olhos esbugalhados: o índio acabava de trespassá-lo com a lança.Esvaindo-se em sangue, molhando de suor, Samuel tombou lentamente; ouviu o apito soturno de um vapor. Depois, silêncio.Às sete horas o despertador tocou. Samuel saltou da cama, correu para a bacia, levou-se. Vestiu-se rapidamente e saiu.Sentado numa poltrona, o gerente lia uma revista.— Já vai, seu Isidoro?—Já – disse Samuel, entregando a chave. Pagou, conferiu o troco em silêncio.—Até domingo que vem, seu Isidoro – disse o gerente.—Não sei se virei – respondeu Samuel, olhando pela porta; a noite caia.—O senhor diz isto, mas volta sempre – observou o homem, rindo.Samuel saiu.Ao longo dos cais, guiava lentamente. Parou um instante, ficou olhando os guindastes recortados contra o céu avermelhado. Depois, seguiu. Para casa.

 

                             Situação de aprendizagem  do conto  "Pausa". 
                “Depois da leitura”. Para 8ºano (7ª serie)

“Pausa” 

 Moacir Scliar.

Objetivo 1: Construção da síntese do texto.

Procedimento:
O professor busca saber o que os alunos retiveram do texto lido. (Atividade compartilhada)

·         Cada aluno apresenta um ponto do texto até o final.

Para ajudar, o professor pode citar um início do texto e parar, solicitando que a classe o complemente de acordo com o texto lido. O objetivo é ver se eles retiveram a ideia principal e o tema.

O professor deve intervir caso as ideias surjam tipo lista de itens, ajudando os alunos a relacionarem as ideias e conectá-las em texto.

·         Outro procedimento dentro deste objetivo é a verificação das palavras desconhecidas que já exploradas no “durante a leitura”, pode ser retomado dando oportunidades a outros alunos para explicarem cada palavra e seu sentido no texto.

No caso do texto “A pausa”, o professor pode;

·         Perguntar sobre o objetivo de sua saída de casa em um domingo sendo ainda muito cedo.

·         Pode perguntar o que pretendia com tantos sanduíches...,

·         Porque a mulher ficou com azedume na voz... , caso vocês estivessem no lugar dela como agiriam? 

·         Na medida do texto pode perguntar a opinião deles sobre o entrar furtivamente e o lugar escolhido para repouso ser uma espelunca, (sujo, pequeno e o gerente ficar numa poltrona rasgada).

·          Enfim como antecipação do texto e inferência, o que poderia ter levado a personagem a um lugar desses?  Não haveria outra forma de descansar?



Objetivo 2: Troca de impressões do texto lido e acolhimento de outras posições.

O professor pode verificar com os alunos,

·         Se há conhecimento deles sobre este tema dos jornais, revistas ou histórias do próprio dia a dia.

·         Pode ser momento de abordar o estresse do dia a dia, a que os trabalhadores de escritório estão sujeitos e conversar sobre a necessidade de uma pausa na correria do dia a dia e seu beneficio para a saúde.

À medida que o texto avança, o professor pode também:

·         Retomar esta ideia no momento em que a personagem chega ao seu quarto e o narrador diz que havia uma cama de casal, e já ter passado na entrada do lugar por duas mulheres.

·         Será que este ponto de vista do estresse somente pode ainda ser sustentado? Haveria outra causa deste seu descanso longe da família?

·         Enfim pode ser oportunidade para tratar de relacionamentos a beira de um desgaste ou já em desgaste.

Com estes dois objetivos o professor já pode conhecer se:

·         Houve entendimento do tema e ideia principal;

·         Se o aluno compreendeu os conteúdos não explícitos de inferências e integração dos segmentos do texto (através do relacionamento intertexto deste com outros da mídia);

·         Se houve recuperação das informações literais (isto já ocorre no reconto, compartilhado pelos alunos).


 INTERTEXTUALIDADE - MÚSICA: COTIDIANO (Chico Buarque)

                                 
                                  Chico Buarque

      Cotidiano

        Chico Buarque 
 

Todo dia ela faz tudo sempre igual:
Me sacode às seis horas da manhã,
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã.
Todo dia ela diz que é pr'eu me cuidar
E essas coisas que diz toda mulher.
Diz que está me esperando pr'o jantar
E me beija com a boca de café.

Todo dia eu só penso em poder parar;
Meio-dia eu só penso em dizer não,
Depois penso na vida pra levar
E me calo com a boca de feijão.
Seis da tarde, como era de se esperar,
Ela pega e me espera no portão
Diz que está muito louca pra beijar
E me beija com a boca de paixão.

Toda noite ela diz pr'eu não me afastar;
Meia-noite ela jura eterno amor
E me aperta pr'eu quase sufocar
E me morde com a boca de pavor.
Todo dia ela faz tudo sempre igual:
Me sacode às seis horas da manhã,
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã.

Todo dia ela diz que é pr'eu me cuidar
E essas coisas que diz toda mulher.
Diz que está me esperando pr'o jantar
E me beija com a boca de café.
Todo dia eu só penso em poder parar;
Meio-dia eu só penso em dizer não,
Depois penso na vida pra levar
E me calo com a boca de feijão.
Seis da tarde, como era de se esperar,
Ela pega e me espera no portão
Diz que está muito louca pra beijar
E me beija com a boca de paixão.

Toda noite ela diz pr'eu não me afastar;
Meia-noite ela jura eterno amor
E me aperta pr'eu quase sufocar
E me morde com a boca de pavor.
Todo dia ela faz tudo sempre igual:
Me sacode às seis horas da manhã,
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca de hortelã.

1. Em que a letra se assemelha com o tema do conto?

2. As personagens expressam os mesmos sentimentos e atitudes com relação à rotina? 



Alguns fatos para o professor resumir e falar algo sobre o escritor, sua obra e seus prêmios.

 

Moacyr Scliar

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
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Moacyr Scliar Academia Brasileira de Letras

Moacyr Scliar em 2003
Nascimento Moacyr Jaime Scliar
23 de março de 1937
Porto Alegre, RS
Morte 27 de fevereiro de 2011 (73 anos)
Porto Alegre, RS
Ocupação médico, escritor
Nacionalidade Brasil brasileiro
Alma mater UFRGS
Gênero literário Contos, romances, novelas, literatura infantojuvenil e crônicas,
Temas abordados imigração judaica no Brasil
Obra(s) de destaque Guerra no Bom Fim, O Centauro no Jardim, A Majestade do Xingu


Sítio oficial
Moacyr Jaime Scliar (Porto Alegre, 23 de março de 1937 — Porto Alegre, 27 de fevereiro de 2011) foi um escritor brasileiro. Formado em medicina, trabalhou como médico especialista em saúde pública e professor universitário. Sua prolífica obra consiste de contos, romances, ensaios e literatura infantojuvenil. Também ficou conhecido por suas crônicas nos principais jornais do país.

Índice

Biografia

Filho de José e Sara Scliar, Moacyr nasceu no Bom Fim, bairro que concentra a comunidade judaica. Alfabetizado pela mãe, professora primária, a partir de 1943 cursou a Escola de Educação e Cultura, daquela cidade, conhecida como Colégio Iídiche. Transferiu-se, em 1948, para o Colégio Nossa Senhora do Rosário (católico).
Em 1963, após se formar pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, iniciou sua vida como médico, fazendo residência médica. Especializou-se no campo da saúde pública como médico sanitarista. Iniciou os trabalhos nessa área em 1969. Em 1970, frequentou curso de pós-graduação em medicina em Israel. Posteriormente, tornou-se doutor em Ciências pela Escola Nacional de Saúde Pública. Foi professor da disciplina de medicina e comunidade do curso de medicina da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).
Em 1965, casou-se com Judith Vivien Oliven. O filho do casal, Roberto, nasceu em 1979.1
Moacyr Scliar era torcedor do Cruzeiro, de Porto Alegre.2 Devido a sua morte, os jogadores do Cruzeiro fizeram uma homenagem para este torcedor-símbolo do clube, entrando de luto na partida contra o Grêmio, no dia 27 de fevereiro, que contou com um minuto de silêncio em homenagem a Scliar.3

Carreira

Scliar publicou mais de setenta livros. Seu estilo leve e irônico lhe garantiu um público bastante amplo de leitores, e em 2003 foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, tendo recebido antes uma grande quantidade de prêmios literários como o Jabuti (1988, 1993 e 2009), o Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) (1989) e o Casa de las Américas (1989).
Suas obras frequentemente abordam a imigração judaica no Brasil, mas também tratam de temas como o socialismo, a medicina (área de sua formação), a vida de classe média e vários outros assuntos. O autor já teve obras suas traduzidas para doze idiomas.
Em 2002 ele se envolveu em uma polêmica com o escritor canadense Yann Martel, cujo famoso romance A Vida de Pi, vencedor do prêmio Man Booker, foi acusado de ser um plágio da sua novela Max e os felinos. O escritor gaúcho, no entanto, diz que a mídia extrapolou ao tratar do caso, e que ele nunca teve o intuito de processar o escritor canadense.
Entre suas obras mais importantes estão os seus contos e os romances O ciclo das águas, A estranha nação de Rafael Mendes, O exército de um homem só e O centauro no jardim, este último incluído na lista dos 100 melhores livros de temática judaica dos últimos 200 anos, feita pelo National Yiddish Book Center nos Estados Unidos.

Adaptação para o cinema

Em 1998, o romance "Um Sonho no Caroço do Abacate" foi adaptado para o cinema, com o título "Caminho dos Sonhos", sob a direção de Lucas Amberg. O filme participou dos festivais de Gramado, Miami, Trieste e outros. O filme narra a história do filho de um casal de imigrantes judeus lituanos que se estabelece no bairro do Bom Retiro, em São Paulo, nos anos 1960. O jovem Mardo (Edward Boggiss) apaixona-se por Ana (Taís Araújo), uma estudante negra. Os jovens encontram no amor a força e a determinação para enfrentarem a discriminação na escola onde estudam e o preconceito entre as famílias.
Em 2002, o romance Sonhos Tropicais foi adaptado para o cinema sob a direção de André Sturm, com Carolina Kasting, Bruno Giordano, Flávio Galvão, Ingra Liberato e Cecil Thiré no elenco. O filme relata o combate à febre amarela no Rio de Janeiro, comandado pelo médico sanitarista Oswaldo Cruz, e a resistência da população à vacinação obrigatória, que resultou na chamada Revolta da Vacina. Em paralelo, é narrada a história de uma jovem judia polonesa, que imigra para o Brasil em busca de uma vida melhor, mas acaba por se prostituir.

Morte

Scliar morreu por volta da 1h do dia 27 de fevereiro de 2011, aos 73 anos, de falência múltipla dos órgãos. Ele estava internado no Hospital de Clínicas de Porto Alegre desde o dia 11 de janeiro, quando deu entrada para a retirada de pólipos (formações benignas) no intestino. A cirurgia foi bem sucedida, mas o escritor acabou tendo um acidente vascular cerebral (AVC) no dia 17 de janeiro, durante o período de recuperação, falecendo quase cinquenta dias depois de sua entrada no hospital4 5 6 .

Lorbeerkranz.png Academia Brasileira de Letras

Foi o sétimo ocupante da cadeira 31 da Academia Brasileira de Letras. Foi eleito em 31 de julho de 2003, na sucessão de Geraldo França de Lima, e recebido em 22 de outubro de 2003 pelo acadêmico Carlos Nejar.

Obra

Contos
  • O carnaval dos animais. Porto Alegre, Movimento, 1968
  • A balada do falso Messias. São Paulo, Ática, 1976
  • Histórias da terra trêmula. São Paulo, Escrita, 1976
  • O anão no televisor. Porto Alegre, Globo, 1979
  • Os melhores contos de Moacyr Scliar. São Paulo, Global, 1984
  • Dez contos escolhidos. Brasília, Horizonte, 1984
  • O olho enigmático. Rio, Guanabara, 1986
  • Contos reunidos. São Paulo, Companhia das Letras, 1995
  • O amante da Madonna. Porto Alegre, Mercado Aberto, 1997
  • Os contistas. Rio, Ediouro, 1997
  • Histórias para (quase) todos os gostos. Porto Alegre, L&PM, 1998
  • Pai e filho, filho e pai. Porto Alegre, L&PM, 2002
  • Histórias que os jornais não contam. Rio de Janeiro, Agir, 2009.
Romances
Ficção infantojuvenil
Crônicas
  • A massagista japonesa. Porto Alegre, L&PM, 1984
  • Um país chamado infância. Porto Alegre, Sulina, 1989
  • Dicionário do viajante insólito. Porto Alegre, L&PM, 1995
  • Minha mãe não dorme enquanto eu não chegar. Porto Alegre, L&PM, 1996. Artes e Ofícios, 2001
  • O imaginário cotidiano. São Paulo, Global, 2001
  • A língua de três pontas: crônicas e citações sobre a arte de falar mal. Porto Alegre
Ensaios
  • A condição judaica. Porto Alegre, L&PM, 1987
  • Do mágico ao social: a trajetória da saúde pública. Porto Alegre, L&PM, 1987; SP, Senac, 2002
  • Cenas médicas. Porto Alegre, Editora da Ufrgs, 1988. Artes&Ofícios, 2002
  • Enígmas da culpa. São Paulo, Objetiva, 2007

Prêmios

Referências

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