Atividades de leitura para o texto
“Aeroporto” – Carlos Drummond de Andrade
ANTES DA LEITURA
O que a palavra sugere?
Questionamentos para Sondagem pré-leitura
• Você
conhece um aeroporto? Já viajou de avião?
• O que você
espera encontrar num texto chamado “Aeroporto”?
• O que a
música e o vídeo “Encontros e Despedidas” de Milton Nascimento, cantada por
Maria Rita, pode ter em comum com nosso texto?
• Você sabe
quem inventou o avião?
- Levantamento da vida do autor Carlos Drummond de Andrade.
- Exibição dos vídeos
> “Encontros e Despedidas” – Milton Nascimento
> Cenas do Programa “Encontros e Despedidas” – GNT por Astrid Fontenelle
- Exibição dos vídeos
> “Encontros e Despedidas” – Milton Nascimento
> Cenas do Programa “Encontros e Despedidas” – GNT por Astrid Fontenelle
DURANTE DA LEITURA
- Vocabulário;
- Levantamento de hipóteses: quem é Pedro?
- Com as características de Pedro conseguimos saber mais sobre sua personalidade?
- Qual a importância dos olhos de Pedro para o autor?
- Pontos de humor na escrita.
DEPOIS DA LEITURA
Parentesco do autor com Pedro: avô de Pedro – comprovado com a leitura
da biografia.
Intertextualidade e Interdiscursividade – exemplos a seguir:
Poema do Aeroporto
Samuel Quintans
Chegada, embarque, filas
Ckeck in, despacho de bagagens
Sorriso, atraso, passageiro
Documento nas mãos, suas passagens
Companhia aérea
Infraero, ANAC, reclamações, pessoas
Correria, comissárias, um sorriso
Aviões, idas e vindas, coisas boas!
Atraso no vôo com destino ao paraíso
Gate, portão, letras e números
Detector de metais e objetos proibidos
Sonhos, lembranças e saudade
Trabalho, malas, laptops, homens corridos
Samuel Quintans
Chegada, embarque, filas
Ckeck in, despacho de bagagens
Sorriso, atraso, passageiro
Documento nas mãos, suas passagens
Companhia aérea
Infraero, ANAC, reclamações, pessoas
Correria, comissárias, um sorriso
Aviões, idas e vindas, coisas boas!
Atraso no vôo com destino ao paraíso
Gate, portão, letras e números
Detector de metais e objetos proibidos
Sonhos, lembranças e saudade
Trabalho, malas, laptops, homens corridos
“- Atenção passageiros, documentos!”
Normas, determinações, prioridade
Cartão de embarque, número dos assentos
Ônibus, bagagem de mão, pontualidade
Café, pão de queijo, guloseimas
Computadores, celulares, internet
Pouso e decolagens sem problemas
Novidades no front e no set.
Você já parou pra pensar de onde vêm tantas pessoas?
Pra onde vai aquele homem absorto?
Pois é! Diferente é pessoa em avião
Curioso é passageiro ansioso
Interessante é um dia num aeroporto!
Normas, determinações, prioridade
Cartão de embarque, número dos assentos
Ônibus, bagagem de mão, pontualidade
Café, pão de queijo, guloseimas
Computadores, celulares, internet
Pouso e decolagens sem problemas
Novidades no front e no set.
Você já parou pra pensar de onde vêm tantas pessoas?
Pra onde vai aquele homem absorto?
Pois é! Diferente é pessoa em avião
Curioso é passageiro ansioso
Interessante é um dia num aeroporto!
Filmes:
- Amor Sem Escalas – Up in the Air
- O Terminal – The Terminal
“Bandeira Branca” - Luis Fernando Veríssimo
Ele: tirolês. Ela: odalisca. Eram de culturas muito diferentes, não
podia dar certo. Mas tinham só quatro anos e se entenderam. No mundo dos quatro
anos todos se entendem, de um jeito ou de outro. Em vez de dançarem, pularem e
entrarem no cordão, resistiram a todos os apelos desesperados das mães e
ficaram sentados no chão, fazendo um montinho de confete, serpentina e poeira,
até serem arrastados para casa, sob ameaças de jamais serem levados a outro
baile de Carnaval.
Encontraram-se de novo no baile infantil do clube, no ano seguinte.
Ele com o mesmo tirolês, agora apertado nos fundilhos, ela de egípcia. Tentaram
recomeçar o montinho, mas dessa vez as mães reagiram e os dois foram obrigados
a dançar, pular e entrar no cordão, sob ameaça de levarem uns tapas. Passaram o
tempo todo de mãos dadas.
Só no terceiro Carnaval se falaram.
- Como é teu nome?
- Janice. E o teu?
- Píndaro.
- O quê?!
- Píndaro.
- Que nome!
Ele de legionário romano, ela de índia americana.
- Como é teu nome?
- Janice. E o teu?
- Píndaro.
- O quê?!
- Píndaro.
- Que nome!
Ele de legionário romano, ela de índia americana.
Só no sétimo baile (pirata, chinesa) desvendaram o mistério de só se
encontrarem no Carnaval e nunca se encontrarem no clube, no resto do ano. Ela
morava no interior, vinha visitar uma tia no Carnaval, a tia é que era sócia.
-Ah.
Foi o ano em que ele preferiu ficar com a sua turma tentando encher a boca das meninas de confete, e ela ficou na mesa, brigando com a mãe, se recusando a brincar, o queixo enterrado na gola alta do vestido de imperadora. Mas quase no fim do baile, na hora do Bandeira Branca, ele veio e a puxou pelo braço, e os dois foram para o meio do salão, abraçados. E, quando se despediram, ela o beijou na face, disse “até o Carnaval que vem” e saiu correndo.
-Ah.
Foi o ano em que ele preferiu ficar com a sua turma tentando encher a boca das meninas de confete, e ela ficou na mesa, brigando com a mãe, se recusando a brincar, o queixo enterrado na gola alta do vestido de imperadora. Mas quase no fim do baile, na hora do Bandeira Branca, ele veio e a puxou pelo braço, e os dois foram para o meio do salão, abraçados. E, quando se despediram, ela o beijou na face, disse “até o Carnaval que vem” e saiu correndo.
No baile do ano em que fizeram 13 anos, pela primeira vez as fantasias
dos dois combinaram. Toureiro e bailarina espanhola. Formavam um casal!
Beijaram-se muito, quando as mães não estavam olhando. Até na boca. Na hora da
despedida, ele pediu:
- Me dá alguma coisa.
- O quê?
- Qualquer coisa.
- O leque.
O leque da bailarina. Ela diria para a mãe que o tinha perdido no salão.
No ano seguinte, ela não apareceu no baile. Ele ficou o tempo todo à procura, um havaiano desconsolado. Não sabia nem como perguntar por ela. Não conhecia a tal tia. Passara um ano inteiro pensando nela, às vezes tirando o leque do seu esconderijo para cheirá-lo, antegozando o momento de encontrá-la outra vez no baile. E ela não apareceu. Marcelão, o mau elemento da sua turma, tinha levado gim para misturar com o guaraná. Ele bebeu demais. Teve que ser carregado para casa. Acordou na sua cama sem lençol, que estava sendo lavado. O que acontecera?
- Você vomitou a alma – disse a mãe.
Era exatamente como se sentia. Como alguém que vomitara a alma e nunca a teria de volta. Nunca. Nem o leque tinha mais o cheiro dela.
Mas, no ano seguinte, ele foi ao baile dos adultos no clube – e lá estava ela! Quinze anos. Uma moça. Peitos, tudo. Uma fantasia indefinida.
- Sei lá. Bávara tropical – disse ela, rindo.
Estava diferente. Não era só o corpo. Menos tímida, o riso mais alto. Contou que faltara no ano anterior porque a avó morrera, logo no Carnaval.
- E aquela bailarina espanhola?
- Nem me fala. E o toureiro?
- Aposentado.
A fantasia dele era de nada. Camisa florida, bermuda, finalmente um brasileiro. Ela estava com um grupo. Primos, amigos dos primos. Todos vagamente bávaros. Quando ela o apresentou ao grupo, alguém disse “Píndaro?!” e todos caíram na risada. Ele viu que ela estava rindo também. Deu uma desculpa e afastou-se. Foi procurar o Marcelão. O Marcelão anunciara que levaria várias garrafas presas nas pernas, escondidas sob as calças da fantasia de sultão. O Marcelão tinha o que ele precisava para encher o buraco deixado pela alma.
- Me dá alguma coisa.
- O quê?
- Qualquer coisa.
- O leque.
O leque da bailarina. Ela diria para a mãe que o tinha perdido no salão.
No ano seguinte, ela não apareceu no baile. Ele ficou o tempo todo à procura, um havaiano desconsolado. Não sabia nem como perguntar por ela. Não conhecia a tal tia. Passara um ano inteiro pensando nela, às vezes tirando o leque do seu esconderijo para cheirá-lo, antegozando o momento de encontrá-la outra vez no baile. E ela não apareceu. Marcelão, o mau elemento da sua turma, tinha levado gim para misturar com o guaraná. Ele bebeu demais. Teve que ser carregado para casa. Acordou na sua cama sem lençol, que estava sendo lavado. O que acontecera?
- Você vomitou a alma – disse a mãe.
Era exatamente como se sentia. Como alguém que vomitara a alma e nunca a teria de volta. Nunca. Nem o leque tinha mais o cheiro dela.
Mas, no ano seguinte, ele foi ao baile dos adultos no clube – e lá estava ela! Quinze anos. Uma moça. Peitos, tudo. Uma fantasia indefinida.
- Sei lá. Bávara tropical – disse ela, rindo.
Estava diferente. Não era só o corpo. Menos tímida, o riso mais alto. Contou que faltara no ano anterior porque a avó morrera, logo no Carnaval.
- E aquela bailarina espanhola?
- Nem me fala. E o toureiro?
- Aposentado.
A fantasia dele era de nada. Camisa florida, bermuda, finalmente um brasileiro. Ela estava com um grupo. Primos, amigos dos primos. Todos vagamente bávaros. Quando ela o apresentou ao grupo, alguém disse “Píndaro?!” e todos caíram na risada. Ele viu que ela estava rindo também. Deu uma desculpa e afastou-se. Foi procurar o Marcelão. O Marcelão anunciara que levaria várias garrafas presas nas pernas, escondidas sob as calças da fantasia de sultão. O Marcelão tinha o que ele precisava para encher o buraco deixado pela alma.
Quinze anos, pensou ele, e já estou perdendo todas as ilusões da vida,
começando pelo Carnaval. Não devo chegar aos 30, pelo menos não inteiro. Passou
todo o baile encostado numa coluna adornada, bebendo o guaraná clandestino do
Marcelão, vendo ela passar abraçada com uma sucessão de primos e amigos de
primos, principalmente um halterofilista, certamente burro, talvez até
criminoso, que reduzira sua fantasia a um par de calças curtas de couro. Pensou
em dizer alguma coisa, mas só o que lhe ocorreu dizer foi “pelo menos o meu
tirolês era autêntico” e desistiu. Mas, quando a banda começou a tocar Bandeira
Branca e ele se dirigiu para a saída, tonto e amargurado, sentiu que alguém o
pegava pela mão, virou-se e era ela. Era ela, meu Deus, puxando-o para o salão.
Ela enlaçando-o com os dois braços para dançarem assim, ela dizendo “não vale,
você cresceu mais do que eu” e encostando a cabeça no seu ombro. Ela encostando
a cabeça no seu ombro.
Encontraram-se de novo 15 anos depois. Aliás, neste Carnaval. Por acaso, num aeroporto. Ela desembarcando, a caminho do interior, para visitar a mãe. Ele embarcando para encontrar os filhos no Rio. Ela disse “quase não reconheci você sem fantasias”. Ele custou a reconhecê-la. Ela estava gorda, nunca a reconheceria, muito menos de bailarina espanhola. A última coisa que ele lhe dissera fora “preciso te dizer uma coisa”, e ela dissera “no Carnaval que vem, no Carnaval que vem” e no Carnaval seguinte ela não aparecera, ela nunca mais aparecera. Explicou que o pai tinha sido transferido para outro Estado, sabe como é, Banco do Brasil, e como ela não tinha o endereço dele, como não sabia nem o sobrenome dele e, mesmo, não teria onde tomar nota na fantasia de falsa bávara…
- O que você ia me dizer, no outro Carnaval? – perguntou ela.
- Esqueci – mentiu ele.
Trocaram informações. Os dois casaram, mas ele já se separou. Os filhos dele moram no Rio, com a mãe. Ela, o marido e a filha moram em Curitiba, o marido também é do Banco do Brasil… E a todas essas ele pensando: digo ou não digo que aquele foi o momento mais feliz da minha vida, Bandeira Branca, a cabeça dela no meu ombro, e que todo o resto da minha vida será apenas o resto da minha vida? E ela pensando: como é mesmo o nome dele? Péricles. Será Péricles? Ele: digo ou não digo que não cheguei mesmo inteiro aos 30, e que ainda tenho o leque? Ela: Petrarco. Pôncio. Ptolomeu…
*conto publicado na coletânea Histórias Brasileiras de Verão (ed. Objetiva, 1999)
Encontraram-se de novo 15 anos depois. Aliás, neste Carnaval. Por acaso, num aeroporto. Ela desembarcando, a caminho do interior, para visitar a mãe. Ele embarcando para encontrar os filhos no Rio. Ela disse “quase não reconheci você sem fantasias”. Ele custou a reconhecê-la. Ela estava gorda, nunca a reconheceria, muito menos de bailarina espanhola. A última coisa que ele lhe dissera fora “preciso te dizer uma coisa”, e ela dissera “no Carnaval que vem, no Carnaval que vem” e no Carnaval seguinte ela não aparecera, ela nunca mais aparecera. Explicou que o pai tinha sido transferido para outro Estado, sabe como é, Banco do Brasil, e como ela não tinha o endereço dele, como não sabia nem o sobrenome dele e, mesmo, não teria onde tomar nota na fantasia de falsa bávara…
- O que você ia me dizer, no outro Carnaval? – perguntou ela.
- Esqueci – mentiu ele.
Trocaram informações. Os dois casaram, mas ele já se separou. Os filhos dele moram no Rio, com a mãe. Ela, o marido e a filha moram em Curitiba, o marido também é do Banco do Brasil… E a todas essas ele pensando: digo ou não digo que aquele foi o momento mais feliz da minha vida, Bandeira Branca, a cabeça dela no meu ombro, e que todo o resto da minha vida será apenas o resto da minha vida? E ela pensando: como é mesmo o nome dele? Péricles. Será Péricles? Ele: digo ou não digo que não cheguei mesmo inteiro aos 30, e que ainda tenho o leque? Ela: Petrarco. Pôncio. Ptolomeu…
*conto publicado na coletânea Histórias Brasileiras de Verão (ed. Objetiva, 1999)
Análise de imagem e texto.
Proposta para debate e redação.
Proposta para debate e redação.


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